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“Já aconteceu, mas uma tempestade tão grande não”: Torre de Moncorvo contabiliza prejuízos de meio milhão de euros

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Qui, 19/02/2026 - 09:21


Autarca José Meneses avança que vai reportar os prejuízos ao Governo

Em Torre de Moncorvo, o mau tempo, seguido de cheias, provocou estragos avultados, principalmente na zona da Foz do Sabor e já se fazem contas aos prejuízos. Maria Pisco, mora junto à praia da Foz do Sabor, e viu tudo aquilo que cultivou, num terreno de três hectares, a ser destruído pela tempestade. “Tinha alface, espinafre, as faveiras já com flores, ervilhas, brócolos, couve-penca e couve-lombarda. Agora, está tudo estragado e já não sai dali nada”, contou a produtora de 65 anos. Sem esperança e, agora com prejuízos, “já não é altura de plantar, só quando o tempo melhorar. Mas há quem esteja pior, apesar de nós estarmos mal”, disse.

Auzenda Moreira, também habita na mesma zona, e dedica-se ao turismo. Tem vários alojamentos rurais e, apesar de o mau tempo não lhe ter provocado estragos nas habitações, as reservas caiaram a pique. “Tenho muitas reservas de todo o lado, mas com este tempo e todos os problemas causados pela tempestade, a maioria anulou tudo”. O fim de semana passado era um dos que estimaria fazer mais negócio, devido ao Dia de São Valentim, mas desde que o mau tempo começou somaram-se os cancelamentos. “Já conto com prejuízos financeiros na ordem dos 300 euros por semana”.

Ambas contaram que não se lembram de estragos tão avultados quanto estes. “Já aconteceu, mas uma tempestade tão grande não”, disse Maria. A agricultora acrescentou ainda que “toda a gente se queixa. Os pomares à beira rio estão todos cobertos”. Já Auzenda considerou que “foi a pior delas todas. Esta aldeia vive muito de turismo rural e vejo todos os meus colegas a queixarem-se da falta de reservas, porque estão a ser anuladas e é um prejuízo muito grande, porque vivemos disto”, sublinhou.

O presidente da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, José Meneses, destacou as principais ocorrências no concelho que rondam já meio milhão de euros. “As freguesias que foram mais afetadas do leito do Sabor e do Douro foram as de Torre de Moncorvo, da Cabeça Boa e também da Horta. Temos ainda a questão da requalificação da ponte da Foz do Sabor, os trabalhos estavam a decorrer e a empresa já contabilizou um prejuízo na ordem dos 170 mil euros, um valor que foi apurado pelos próprios, mas que irá recair também sobre a autarquia”, revelou. Foram identificadas ainda cerca de 30 ocorrências. “Desde derrocadas, deslizamento de muros, deslizamento também de taludes, quer em caminhos rurais, quer até mesmo em estradas municipais. Mobiliário urbano, nomeadamente também o sistema de rega do espaço lazer da Foz do Sabor. É um conjunto de um valor que já quase ultrapassa os 500 mil euros e que a autarquia terá de assumir”, adiantou.

Alguns dos agricultores mais afetados pelas cheias, mas que não quiserem prestar declarações à rádio Brigantia, apenas questionaram o papel da Barragem do Baixo Sabor, nestas situações, e pediram explicações à autarquia. Questionado sobre este tema, o autarca disse também que iria pedir explicações às Movhera. “As próprias barragens vieram para tentar, e tentam, controlar um pouco mais os caudais do Rio Távora e do Rio Douro, mas claro que há alturas que não é possível. Há sensivelmente 6 ou 7 anos tivemos uma situação idêntica e de certeza que iremos ter no futuro próximo outras semelhantes. Temos é que tentar minimizar de facto os estragos, compensar de certa forma também todos os agricultores. Mas aquilo que sempre pressionámos à Movhera era que fôssemos avisados quando há descargas, para transmitirmos isto aos agricultores. Até porque, por exemplo, pode dar aqui um espaço de manobra de retirarem grande parte da maquinaria, ou seja, tratores, geradores, alfaias, para que não fiquem debaixo de água e que os estragos não sejam maiores. Agora, a parte técnica de como é que eles gerem as descargas não temos informação. Sabemos que eles quando têm uma previsão de que vai haver muita chuva fazem essas descargas para conseguirem depois armazenar mais água, para que não seja toda ao mesmo tempo”, especificou o autarca.

O autarca garantiu ainda que irá reportar os prejuízos às autoridades competentes, para obter linhas de apoio direcionadas para estas situações. “Sabemos que já há uma linha até 15 mil euros para quem teve prejuízos agrícolas e o município, através do gabinete florestal e de apoio ao agricultor, tem disponíveis vários técnicos para ajuda-los a realizar essas candidaturas. Claro que há outro tipo de agricultores, que tivemos conhecimento, que o prejuízo foi mais elevado e aí teremos que estar também do lado dele para verificar se há outro tipo de candidaturas onde possa, de certa forma, compensar esse valor de prejuízo”, referiu. O cenário, principalmente, na Foz do Sabor é de destruição, onde a água deixou muitos terrenos agrícolas submersos.

Escrito por rádio Brigantia

Jornalista: 
Rita Teixeira